Sidney Fernandes -Instintos Do Passado

INSTINTOS DO PASSADO

                                                                                   Com Sidney Fernandes

Pois já os meus olhos viram a tua salvação.

Lucas, 2:30

Em magnífico trabalho denominado Cérebro – Agente ou Gerente do Espírito?, Richard Simonetti faz referência ao reflexo condicionado como parte do processo evolutivo da alma.

Dirigindo-se aos contestadores da reencarnação, que a consideram inútil por não nos recordarmos do passado, argumenta que a ausência de lembranças de vidas anteriores não impede nosso aprimoramento na vida atual.

 Espírito que no passado abusou do sexo – exemplifica – nesta vida terá depressão, frigidez sexual, esterilidade ou doenças relacionadas com seus órgãos de reprodução. Com o sofrimento, o Espírito vai aprender, por reflexo condicionado, que a promiscuidade sexual não é interessante. Vai reexaminar seus procedimentos.

Mesmo sem se lembrar dos erros cometidos em outras vidas, o indivíduo que sofre tem a intuição de que as dores desta vida têm uma causa justa.

O papel do condicionamento na psicologia do comportamento (reflexo condicionado) foi estudado pelo fisiólogo russo Ivan Petrovich Pavlov.

É clássica a história do cão que, acostumado a ouvir uma sineta antes de suas refeições, salivava toda vez que ouvia tal som, independentemente de sua ração ser servida ou não.

Pavlov descobriu que algumas respostas comportamentais são inatas, enquanto outras podem ser aprendidas, criadas ou removidas, em seres humanos e animais.

A expressão gato escaldado tem medo de água fria mostra bem como nosso comportamento muda quando passamos por uma situação traumatizante.

A dor oriunda dos desvios morais e espirituais sinaliza a necessidade de mudança de comportamento do indivíduo. Ela nos relembra a fim de não repetirmos os mesmos erros do passado.

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E quando, mesmo sob o guante da dor, ignoramos a necessidade da renovação, adiando as providências necessárias ao processo evolutivo?

Kardec responde: Cedo ou tarde, o Espírito sente a necessidade de progredir. Todos têm que se elevar; esse o destino de todos.

O Livro dos Espíritos, Questão 333, Allan Kardec

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Se nossos reflexos podem ser condicionados, por que o comportamento também não o seria?

Esta indagação, feita por um dos pesquisadores que estudaram os trabalhos de Pavlov, vem ao encontro da necessidade do aprimoramento moral de que nos falam os mentores espirituais.

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A nossa transformação moral passará, necessariamente, pela aquisição de novos hábitos. Precisamos vencer os caracteres arraigados na personalidade do Espírito, que arrastamos quais correntes que nos aprisionam aos nossos instintos do passado.

É preciso, como diz Kardec, desenvolver a arte de formar os caracteres, a que incute hábitos, porquanto a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos.

Questão 685, O Livro dos Espíritos, Allan Kardec

Somente com o esforço, com a persistência, a concentração no dever de progredir, nos libertaremos dos condicionamentos perniciosos, que acabam por requisitar a dor e a carência, para que nos abalancemos na continuidade do nosso processo evolutivo.

 

Depende exclusivamente da nossa vontade!